Cabral queria partir para a Índia no Sábado, dia 2 de Maio, a fim de não perder a monção , mas precisava de mais informações da terra para enviar a El-Rei D. Manuel e Gonçalo recebera ordens de Diogo Dias para vir buscar o grupo e levá-lo de novo à aldeia dos seus amigos, a ver se desta vez os deixavam passar lá a noite como desejava e insistia o Capitão-mor. Foram novamente recebidos como hóspedes amigos e tudo se passou como no dia anterior, com Mateus cada vez mais confiante e cativado por Uapê e Arati que lhe pagavam na mesma moeda, servindo-lhe os melhores bocados do assado de tatu e as frutas mais saborosas. […]

Na quarta-feira, Pedro Álvares Cabral passara quase todo o dia na naveta de Gaspar de Lemos, assistindo ao despejar dos mantimentos e sua distribuição pelos outros navios, por isso, com grande pena da marinhagem, só Sancho de Tovar foi a terra com um recado de Pêro Vaz de Caminha ao Assanhado para ir no dia seguinte pela manhã à nau capitânia, pois o escrivão queria registar na carta d’El-Rei as impressões dos últimos dias passados nas Terras da Vera Cruz e desejava ver os dois irmãos seus amigos, para melhor os descrever a Sua Alteza.

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 99

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