Sentado à sua mesa retomou as folhas e releu o que tinha escrito, depois alisou num gesto maquinal a última, ainda incompleta, e molhando a pena no tinteiro começou a escrever:

“Creio, Senhor, que com estes dois degredados ficam mais dois grumetes, que esta noite se saíram desta nau no esquife, fugidos para terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão aqui, porque de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui partida.”

Não diria mais nada sobre os grumetes, seguindo a recomendação do Capitão-mor, esperando em Deus que se fizesse justiça e os moços ainda estivessem vivos quando tudo ficasse esclarecido e os verdadeiros criminosos justiçados. Com um suspiro, deu início à conclusão da sua carta:

“… até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem cousa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de mui bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.”

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 118

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