Estadista (Chaves, 4 de Agosto de 1745 – Rio de janeiro, 26 de Janeiro de 1812). Filho de Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, fidalgo e governador de Angola, e de D. Ana Joaquina Teixeira de Andrade Barbosa, foi senhor de Paialvo e primeiro conde de Linhares. Era irmão de D. Domingos António de Sousa Coutinho, conde e marquês do Funchal. Inciou-se na diplomacia como ministro plenipotenciário e enviado extraordinário em Turim, funções que desempenhou até 1795, sendo então chamado ao reino para ocupar o cargo de secretário de Estado da Marinha e UItramar (1796-1801), em substituição de Martinho de Melo e Castro. No seu ministério, continuando a obra de reorganização do falecido ministro, levou a cabo um excelente trabalho, sendo o responsável pela criação de um corpo de engenheiros construtores e da Junta da Fazenda de Marinha. Por outro lado, procurou incentivar a actividade comercial e fortalecer o poderio marítimo do país, ao mesmo tempo que se empenhou nas questões ultramarinas, tendo apoiado Lacerda de Almeida na sua tentativa de atravessar o continente africano de Oriente para Ocidente. Entretanto, durante o governo do duque de Lafões, por morte do marquês de Ponte de Lima, assumiu a chefia das Finanças, como presidente do Real Erário.

Firme defensor da aliança com Inglaterra, foi um dos opositores à ratificação do tratado de paz luso-francês, de 10 de Agosto de 1797, que embora exigisse uma avultada indemnização à França, de 10 milhões de libras, teve um considerável apoio em Portugal. Seria afastado do poder por influência do general Lannes, embaixador francês no nosso país, optando então por acompanhar a família real para o Brasil. Chegado ao Rio de Janeiro no início de 1808, foi nomeado ministro da Guerra e dos Negócios Estrangeiros, tendo um papel preponderante, que muito contribuiu para o desenvolvimento da colónia. Muito culto, com vastos conhecimentos nas ciências naturais e políticas, foi inspector-geral do Gabinete de História Natural, do Jardim Botânico da Ajuda e da Biblioteca Pública de Lisboa e presidente do Conselho da Fazenda, da Junta Económica, Administrativa e Literária de Impressão Régia e da Junta de Direcção-Geral dos Provimentos de Boca para o Exército. O seu interesse pelo progresso científico levara-o, ainda no continente, a propor a D. João a criação de um curso de Filosofia, em Lisboa, com as cadeiras de Veterinária e Agricultura. Foi ainda presidente honorário da Sociedade Real Marítima e sócio honorário da Academia Real das Ciências de Lisboa, tendo recebido este último título por decreto de 17 de Dezembro de 1808. Publicou uma obra: Memoria sobre a verdadeira influencia das minas de metaes preciosos na industria das nações, especialmente na portugueza, que está incluída no primeiro volume das Memorias Economicas da Academia Real das Sciencias. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Avis e com a Torre-e-Espada.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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