A escola de navegação de Sagres jamais existiu, sendo apenas um mito construído pelo fervor nacionalista da historiografia portuguesa do período romântico do século XIX. A tese é do historiador brasileiro Fábio Pestana Ramos, no seu mais recente livro “Por Mares Nunca Dante Navegados”, resultado de dois anos de investigação em diversas bibliotecas de Portugal e do Brasil.

“Não há prova factual, como vestígios arqueológicos ou documentos originais, que possam comprovar a existência de uma escola em Sagres”, afirmou à agência Lusa o historiador, neto de portugueses da Ilha da Madeira.

Pestana Ramos salientou que as citações sobre a escola de Sagres, supostamente criada pelo Infante D. Henrique para desenvolver tecnologias náuticas, são baseadas apenas numa fonte inglesa. “Na verdade, as citações são baseadas num único mapa de um pirata inglês que registou algumas construções em Sagres na época, nada referente à existência de uma escola de navegação”, disse.

No século XIX, o historiador português Oliveira Martins teria utilizado a existência de Sagres “na construção romântica de uma identidade portuguesa que incluía o amplo domínio de tecnologias náuticas”. “De facto, existiu apenas a introdução de algumas disciplinas náuticas na Universidade de Lisboa pelo Infante D. Henrique”, afirmou o historiador. […]

(Público)

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