Governador-geral (Lisboa, século XVI-XVII). Vivendo no período de união das duas coroas ibéricas, ainda antes de ter sido nomeado governador-geral do Brasil, foi gentil-homem da Corte de Filipe II, tendo, inclusive, pertencido ao Conselho do Rei. A sua ambição e o reconhecimento da grandeza do Brasil, que evidenciou ao mundo, fizeram dele um nome de destaque como governador-geral, cargo que desempenhou por mais de seis anos, de 1 de Abril de 1602 a 22 de Agosto de 1608. Sabendo da importância de Olinda e de Pernambuco, como portas de entrada para os navios vindos da metrópole, rumou de Lisboa directamente para Pernambuco, contrariando a tendência dos governadores da época, que faziam a viagem directamente para a Baía de Todos-os-Santos. Com uma boa capacidade administrativa, criou algumas medidas fundamentais para o desenvolvimento da colónia: proibiu a acumulação de ofícios públicos, alterou o sistema de pagamento dos empregados do fisco, estabeleceu a venda do vinho e a descarga das fazendas como actividades francas, impulsionou a ocupação do Ceará e do Maranhão e promoveu a reparãção do forte do Recife. Também no campo da Justiça, fez-se sentir a sua acção, ele que ajudou os colonos na feroz luta contra os índios Aimorés, que se viria a revelar decisiva para a submissão destes últimos. A ele também se deve a exploração da pesca da baleia em águas brasileiras (sector que viria a ser muito lucrativo para a Coroa, através dos impostos), pelo contrato feito em 1602 com o biscainho Pedro de Oreja.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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