Alcunha do colono português Diogo Álvares Correia (Viana do Castelo, ? – Baía, 5 de Outubro de 1557). Fidalgo da Casa Real, partiu para o Brasil, por volta de 1510, tendo São Vicente como destino. Contudo, o naufrágio do navio onde seguia, ao largo da Baía de Todos-os-Santos, alterou a sua vida, fazendo dele uma destacada figura da história do Brasil. Acreditou-se durante muito tempo que Caramuru queria dizer “homem do fogo”, em alusão à supremacia que Diogo Álvares Correia teria conquistado sobre os índios, com quem passou a viver. Na realidade, é a palavra tupi que designa a moreia, um peixe bastante vulgar no litoral da Baía. Casado com a índia Paraguaçu, filha de um chefe tupinambá, viria a ter várias filhas, que casaram com colonos portugueses, dando origem a importantes famílias. Conhecedor dos costumes dos nativos, facilitou o contacto entre estes e os primeiros missionários e administradores, tendo sido um precioso auxílio para o primeiro governador-geral, Tomé de Sousa, aquando da fundação das primeiras povoações no território. Foi sepultado no mosteiro dos Jesuítas em Salvador, ao lado da mulher, que ao ser baptizada recebeu o nome de Catarina Álvares. A sua vida viria a servir de base para a epopeia Caramuru (1781) da autoria do poeta brasileiro Santa Rita Durão.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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