Rainha de Portugal (Aranjuez, 1755 – Queluz, 1830). Filha de Carlos V de Espanha e de Maria Luísa de Parma, casou-se aos 10 anos com o futuro D. João VI, filho de D. Maria I. Em 1788, por morte de D. José, filho primogénito da rainha, D. Carlota Joaquina tornou-se a princesa herdeira. Possuidora de um feitio conflituoso, exuberante e voluntariosa, o próprio marido era vítima das suas agressões, sobretudo a partir de 1792, quando, por enlouquecimento de D. Maria I, D. João se tornou príncipe-regente. A partir de 1806, tornaram-se públicas as suas desavenças com o marido, a quem considerava excessivamente fraco e tolerante. Chegou mesmo a participar numa conjura para o afastar do governo, o que levou a que lhe fosse fixada residência em Queluz. Nunca mais viveriam juntos. Em 1808, na sequência da primeira invasão francesa, foi obrigada a exilar-se no Rio de Janeiro. Nessa altura, tendo Napoleão obrigado o seu pai e o seu irmão mais velho a abdicarem ao trono de Espanha, ambicionou poder vir a obter a coroa desse país e manter sob o seu poder as colónias espanholas da América do Sul. Para alcançar esse objectivo, contactou intensamente as autoridades locais daquelas possessões ultramarinas, mas os seus propósitos não chegariam a concretizar-se. Já em Lisboa, recusou-se terminantemente a jurar a Constituição de 1822, dedicando-se então a preparar a contra-revolução, que seria executada pelo seu filho D. Miguel; fixada na Quinta do Ramalhão, em Sintra, aí preparou a malograda sublevação de 27 de Maio de 1823, que ficou conhecida como Vila-Francada. No ano seguinte, levaria a cabo um novo golpe, a Abrilada. Tendo este falhado também, viu-se obrigada a regressar a Queluz, onde continuou a conspirar até à morte do monarca. Os seus objectivos triunfariam com regresso de D. Miguel a Portugal em 1828: auxiliado pela mãe, o infante executou um novo golpe de Estado que o elevou a rei absoluto. Até ao fim da vida, continuou a apoiar o filho, não chegando contudo a presenciar a futura derrota deste.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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