Fundador da cidade de Santos (Porto, 1507? – Santos, 1592). Fidalgo da Casa Real, partiu para o Brasil, em 1530, na esquadra de Martim Afonso de Sousa, capitão-donatário de São Vicente, de quem obteve por doação (1532) várias terras na parte setentrional daquela ilha. Regressado a Portugal, em 1536 recebeu da esposa de Martim Afonso de Sousa a sesmaria de Jeritatiba, uma das mais vastas do litoral da capitania de São Vicente, que incluía a ilha Pequena (actual ilha Barnabé). Ali se instalou com os seus familiares, pelo menos até 1541, iniciando a cultura de cana-de-açúcar. Seria um dos iniciadores da grande propriedade rural, tendo adquirido terras no litoral, de onde exportava os seus produtos para o continente. Ainda em 1541, conseguiu do capitão-mor de São Vicente a transferência do antigo porto situado na Ponta da Praia, para o lagamar do Enguaguaçu, junto a um pequeno morro (mais tarde chamado Outeiro de Santa Catarina) perto do qual fora construída uma capela, já cercada por várias casas. Com o aumento do comércio marítimo e o início da exploração da mão-de-obra escrava, a povoação, que cresceu rapidamente, passaria a ser conhecida como Porto de São Vicente. Em 1543,fundou ali uma igreja e a primeira misericórdia que houve no Brasil e em toda a América, denominada Santa Casa da Misericórdia de Santos. Investido das funções de capitão-mor, concedeu o foral de vila à povoação por ele fundada, com o nome de Vila do Porto de Santos, actualmente cidade de Santos. Com os seus domínios progressivamente alargados, em 1662 obteve de António Rodrigues de Almeida a ilha de Maberecanã e, cinco anos depois, uma vasta região ao longo do rio Mereti, vindo ainda a receber sesmaria de Ambaí, em reconhecimento pelos serviços prestados. Importante foi também a sua actividade na exploração mineira, devendo-se-lhe o primeiro ouro encontrado em território paulista.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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