Vice-rei do Brasil de 1763 a 1767 (? – Lisboa, 9 de Julho de 1791). Senhor de Tábua, Cunha e Ouguela, ficou conhecido como conde da Cunha. Foi trincheiro-mor da Casa Real, deputado da Junta dos Três Estados, capitão de mar-e-guerra na Armada e tenente-general do Exército. Depois de desempenhar as funções de governador e capitão-general de Mazagão, entre 1753 e 1758 assumiu a governação de Angola, onde deu início à exploração do ouro descoberto em Lambige e levou a cabo uma importante obra de fortificação. Herdara o sonho de seu tio D. Luís da Cunha: a travessia dos territórios entre Angola e Moçambique. Assim,em vez de projectos optou por fazer a tentativa, escolhendo dois homens que considerava terem as qualidades para tão arriscada missão. Comandada por Manuel Correia Leitão e António Francisco Grisante, a expedição partiu em 1755. Porém, chegados à Corte do rei de Cassanga, foram impedidos de continuar, pois o monarca africano não permitia a passagem do rio Cuango, que fazia parte dos seus territórios. Ficava assim adiada a grande travessia. Em 1759, foi nomeado ministro de Portugal em Paris, vindo, posteriormente, a ser escolhido para executar a nova política administrativa que o marquês de Pombal decidira para o Brasil. Foi nomeado vice-rei daquela colónia ultramarina em 1763. Uma das primeiras medidas que tomou foi a mudança da capital de Salvador para o Rio de Janeiro. O novo centro político e administrativo passou então por grandes reformas e melhoramentos. Deu especial atenção às fortificações militares e aos edifícios públicos. Tendo em vista a defesa do território, manteve a presença das forças portuguesas no Sul, de forma a travar os espanhóis que se encontravam na Argentina. Em 1767, por cansaço, pediu dispensa do cargo, sendo substituído por D. António Rolim de Moura Tavares. Regressado ao reino, foi ainda presidente do Tribunal Ultramarino e membro do Conselho de Guerra. Recebeu o título conde em 1760, como reconhecimento dos serviços prestados.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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