Naturalista e explorador do Brasil (Baía, 27 de Abril de 1756 – Lisboa, 1815). Depois de receber as ordens menores, em 1768 o pai enviou-o para Portugal, para estudar Direito. Matriculado na Universidade de Coimbra, em 1774 transferiu-se para a Faculdade de Filosofia Natural, doutorando-se a 10 de Janeiro de 1779. Durante o curso, teve por mestre Domingos Vandelli, fundador do Jardim Botânico e Museu de História Natural. Ainda durante os estudos, em 1778, foi chamado a Lisboa para ser assistente no Museu da Ajuda, onde se dedicou à catalogação das várias espécies. Como reconhecimento pelo seu trabalho, foi eleito membro correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Nessa altura, o governo demonstrava grande interesse pelos territórios ultramarinos, decidindo levar a efeito uma viagem exploratória das riquezas do Brasil nas regiões do Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuibá, expedição que foi incumbido de organizar e chefiar. Acompanhado por uma pequena equipa, partiu de Lisboa a 1 de Setembro de 1783, chegando 50 dias depois a Belém, que descreveu como um “paraíso”. Durante os 10 anos que dedicou à missão, recolheu grande quantidade de amostras de botânica, zoologia, geologia, mineralogia e antropologia, assim como estudou as condições geográficas e fez importantes observações etnográficas. Até Fevereiro de 1785, data em que chegou ao Rio Negro (actual Manaus), realizou várias viagens à ilha de Marajó, ao rio Tocantis e às zonas circundantes de Belém, subindo ainda o Amazonas. Em seguida, saindo de Barcelos passou a efectuar observações na parte superior do Rio Negro e nos seus afluentes. Depois, investigou os rios Ucana e Uapes, chegando mais tarde aos rios Branco, Máu e Madeira. Na exploração deste último, previra que a subida do rio durasse oito meses, mas na verdade precisou de mais de um ano. Alcançou Vila Bela, no Mato Grosso, que se tornou a sua base durante cerca de dois anos. A partir dali, fez várias incursões terrestres e viajou de canoa pelos rios Guapore, Cuiaba e Paraguay, regressando então a Belém. O valioso material que enviava periodicamente para o continente acumulava-se de tal maneira que receando que os estudos pudessem ser prejudicados, chegou a pedir que a viagem fosse interrompida para que tivesse oportunidade de organizar os trabalhos em Portugal. Regressado a Lisboa, em 1793, encontrou as suas recolhas mal acondicionadas, até mesmo desprezadas. […]

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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