Político brasileiro (Baía, 16 de Julho de 1756 – Rio de Janeiro, a 20 de Agosto de 1835). Economista, jornalista e professor, era filho de um arquitecto e, como tal, teve a possibilidade de crescer no meio de letrados. Talvez por isto, em tenra idade revelou uma grande apetência pelos estudos, o que confirmaria, anos mais tarde, na Universidade de Coimbra, onde estudou e, depois, leccionou Grego e Hebraico. Quando regressou ao Brasil, a Salvador da Baía, dedicou-se ao ensino de Filosofia e Moral. Mas, para o fundador do jornal Conciliador do Reino Unido, estava destinada uma outra batalha – a do desenvolvimento do Brasil. Quando a corte de D. João VI se transferiu para o Brasil, e numa altura em que já se tinha destacado pela publicação de várias obras, caiu nas graças do monarca, ao ponto de o influenciar (em 1808) a abrir todos os portos do Brasil às nações amigas (no momento, pelas circunstâncias, apenas à Inglaterra), passo que veio a revelar-se fundamental para a independência. Um dos seus dotes (que terá pesado no convencimento do rei) era, sem dúvida, o dom da oratória. Sem nunca abandonar o ensino – nesse mesmo ano de 1808, foi criada, na Baía, a disciplina de Ciência Económica, cabendo-lhe a regência, muito bem remunerada -, viria, já depois da independência, a ser o principal responsável pela elaboração do novo Código Comercial. Com o título de visconde de Cairu, que lhe foi atribuído, já depois da independência, em 1826, impulsionou a agricultura e o comércio, ao mesmo tempo que continuou a desenvolver uma vasta actividade intelectual, até à sua morte.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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