Militar (Paraíba, Brasil, 1608-1680). Apesar da sua fraca instrução, veio a ser considerado um dos melhores soldados do seu tempo, deixando o seu nome associado, para sempre, à expulsão dos holandeses do território do Brasil. Quando os flamengos da Companhia da Índias Ocidentais ocuparam a Paraíba, fez parte da minoria que não pactuou com a invasão, tendo participado activamente em actividades de resistência. Chegou ao ponto de incendiar os canaviais do próprio pai., Francisco Vidal, proprietário do engenho de Santo André. Pouco depois, alistou-se no Exército português que lutava na Baía, mesmo sem conseguir receber apoios da metrópole. Líder da Insurreição Pernambucana (a par de João Fernandes Vieira), para a qual mobilizou tropas e meios dos sertões nordestinos, destacou-se em todas as fases da luta, estando presente na retomada da Baía (em 1624 e 1625) e na capitulação definitiva do inimigo, na Campina do Taborda (em 1654), logo após as vitórias nas Batalhas dos Guararapes. No derradeiro recontro, que teve lugar no monte dos Guararapes, Vidal de Negreiros comandou as tropas lusas com tal bravura que lhe atribuíram o título de “Governador da Guerra e da Liberdade Divina”. Autor de tamanhos feitos, coube-lhe a honra de, em 1654, ser destacado para levar ao rei D. João IV a notícia da expulsão definitiva dos invasores. Foi arrecadando honrarias ao longo da sua vida. Em retribuição pelos seus excelentes serviços, recebeu o título de capitão-general do Maranhão, tendo também governado Pernambuco e, até, outra colónia portuguesa: Angola. Baixou as armas, em 1680, em Goiana. Os seus restos mortais foram transladados para a Igreja dos Prazeres, nos Montes Guararapes, perto do Recife.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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