Fundador da cidade de São Paulo (Sanfins do Douro?, 18 de Outubro de 1517 – Rio de Janeiro, 18 de Outubro de 1570). Prestando serviços a governadores e à Coroa portuguesa, o sacerdote assumiu um papel determinante na colonização das Terras de Vera Cruz. Lançou os fundamentos da actividade da Companhia de Jesus no Brasil, fundou a cidade de S. Paulo e participou na fundação do Rio de Janeiro, em 1565. Estudou Cânones na Universidade de Salamanca e depois em Coimbra, cidade onde entrou na Companhia de Jesus, no ano de 1544. Cinco anos mais tarde, chefiou a primeira expedição de missionários enviados para o Brasil, tornando-se o primeiro jesuíta no território. Em 1553, por indicação do próprio fundador da Companhia, Santo Inácio de Loiola, foi nomeado provincial dos jesuítas no Brasil e “outras regiões mais além”. Ainda no mesmo ano, fundou a aldeia de Piratininga, tendo, depois, transferido para lá o Colégio da Companhia, consumando-se, desse modo, a fundação da localidade que daria origem à cidade de S. Paulo. Ciente da sua missão, promoveu um número incontável de obras: abriu colégios e escolas, construiu residências, fez aldeamentos para os índios, criou métodos de catequese, promoveu a cultura, a pecuária e a agricultura. Desde cedo, bateu-se em defesa dos índios, tendo sido este o principal motivo de desavenças com as autoridades. As suas ideias manifestam-se sobretudo na chamada trilogia: Diálogo sobre a Conversação do Gentio, Tratado contra a Antropofagia e contra os Cristãos Seculares e Eclesiásticos que a Fomentam e a Consentem e Caso de Consciência sobre a Liberdade dos Índios.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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