Conselheiro (Lisboa, 22 de Setembro de 1791-?). Era filho de uma aldeã, serviçal de quarto da família do visconde de Vila Nova da Rainha, que era o pai da criança. Mas este fez com que, António Gomes, que passou a ser ourives da casa real, o perfilhasse. Estudou no Seminário de Santarém estava quase a ser ordenado quando soube que a Corte se preparava para fugir para o Brasil, em consequência das Invasões Francesas. Conseguiu escapar-se do seminário e partiu para Lisboa, onde foi preso pelos franceses, mas também conseguiu fugir de Abrantes, onde foi encarcerado, e voltou para Lisboa. Reencontrou o pai adoptivo, que ia viajar com a família Real, e introduziu-se nas embarcações. Em 1810, foi incluído na lista de criados honorários do Paço e dois anos depois foi agraciado com o Hábito de Cristo, como agradecimento aos serviços prestados ao príncipe regente. Tornou-se, aliás, companheiro de aventuras nocturnas de D. Pedro, de quem foi fiel secretário particular. Francisco Gomes da Silva, no Brasil, era conhecido por ser um mulherengo, alegre e astuto e foi perpetuado com a alcunha de O Chalaça. Em 1816, ocupou o cargo de juiz da balança da Casa da Moeda. Mas conquistou a animosidade de Carlota Joaquina, que na primeira oportunidade conseguiu que D. João VI o expulsasse da Corte. Só a intervenção do verdadeiro pai possibilitou a sua reabilitação junto do monarca. Faleceu como conselheiro do Império.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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