Bandeirante (Beja, 1598? – São Paulo, 1658). Seguindo as pisadas do pai, Fernão Vieira Tavares, que fora governador da capitania de São Vicente, partiu para o Brasil em 1618, fixando-se em São Paulo em 1622. Com o propósito de atacar as “reduções” – povoados onde os jesuítas juntavam os índios catequizados – e assegurar a presença portuguesa face à ameaça do domínio espanhol, partiu na sua primeira expedição (1628), ao lado de Manuel Preto, em direcção a Guaíra. Assumiu, por um curto período, as funções de juiz ordinário quando regressou a São Paulo, em 1633. Então ouvidor da capitania de São Vicente, foi excomungado pelos jesuítas e deposto pelo governador, mas reocupou o cargo mais tarde, com a absolvição da ouvidoria-geral do Rio de Janeiro. Em 1636, seguiu numa expedição para Tape, actual Rio Grande do Sul. Cumprido o objectivo da expulsão dos jesuítas, foi proclamado herói na chegada. Envolveu-se em missões militares entre 1639 e 1642, destacando-se, já no período da Restauração, como capitão de companhia na acção de socorro às forças sitiadas na Baía e na batalha naval contra os holandeses, em Pernambuco. A maior expedição de Raposo Tavares estaria reservada para ser a última da sua vida. Por ele chefiada, a bandeira iniciou-se em 1648 e percorreu 12 mil quilómetros, atravessando Mato Grosso, a Bolívia, o Peru e a Amazónia. Esta viagem, que se prolongou por mais de três anos, e teve como fim anexar terras e descobrir reservas de metais preciosos, representou um factor decisivo na expansão do território brasileiro para oeste da linha de Tordesilhas.

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)

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