O Livro de Marinharia (1569), de João Lisboa e com a capa original, é mostrado pela primeira vez numa exposição de manuscritos de navegação na Torre do Tombo, em Lisboa, que possibilitará aos visitantes “folhear” os documentos. Intitulada “Registos do Céu: Astronomia em Manuscritos da Torre do Tombo”, a exposição é inaugurada hoje às 17h00 pelos ministros da Cultura, e da Ciência e do Ensino Superior, respectivamente, José António Pinto Ribeiro e Mariano Gago.

“Esta exposição, que estará patente até Janeiro próximo, pretende mostrar a inovação científica em Portugal nos século XVI e XVII”, disse à Lusa Silvestre Lacerda, director-geral dos Arquivos.

O responsável sublinhou que o Livro de Marinharia é apresentado pela primeira vez “com a capa original em madeira, podendo-se observar os sulcos e os furinhos feitos pelo compasso dos navegadores que iam traçando as rotas conforme iam conhecendo os mares e as costas”.

“Por outro lado – salientou -, permitirá pela primeira vez, que cada visitante possa folhear o livro e não ver apenas uma ou duas páginas, na medida em que o documento está totalmente digitalizado, e assim, associado ao módulo de exposição está um computador que permite ao visitante folhear digitalmente cada um dos documentos e conhecê-lo melhor”.

A primeira parte deste livro é um tratado de navegação, também conhecido como “tratado de agulhas de marear, e que demonstra que os pilotos não eram analfabetos, antes pelo contrário, pois eram homens instruídos”, explicou Silvestre Lacerda.

A Carta de Mestre João, outro manuscrito exposto, é mostrada pela primeira vez ao público desde que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) a classificou como património mundial, inscrevendo-a no “Registo Memória do Mundo”.

A carta geográfica datada de 1 de Maio de 1500 “é a primeira representação ocidental da constelação Cruzeiro do Sul que permitiu a orientação pelas estrelas aos navegadores no hemisfério austral”.

Outros dois manuscritos expostos são o “Tratado da Esfera e outros tratados matemáticos” de Giovanni Paolo Lembo, e “Curiosidades Matemáticas”, de Frei José de Jesus Maria.

Este códice de Jesus Maria data de 1641 e é uma compilação de assuntos cosmográficos e astronómicos “em sete tratados e cinco instrumentos de papel, chamados volvelles, em três dimensões, e que serviam para demonstrar alguns princípios cosmográficos ou a obtenção expedita de alguns valores numéricos”, explicou Silvestre Lacerda.

“Esta série de volvelles, livros em três dimensões, explicam por exemplo as fases da Lua, ou as observações do planeta Vénus”, acrescentou.

Relativamente ao Tratado da Esfera, Lacerda afirmou que “testemunha as primeiras utilizações do telescópio em Portugal, datando de 1615/1617”.

“Cinco anos após Galileu ter inventado o telescópio”, salientou o director-geral dos Arquivos.

A exposição integra ainda instrumentos usados pelos navegadores e referidos nos documentos expostos, como o quadrante, o astrolábio, o telescópio e um compasso.

Esta exposição pretende dar a conhecer a importância da documentação científica existente na Torre do Tombo, salientou à Lusa o responsável.

Paralelamente será exibido o documentário exibido no Discovery Channel, “Caravelas e Naus – Um choque tecnológico no Século XVI”, que refere “a importância da inovação e conhecimentos científicos materializados nas técnicas de construção naval e nos instrumentos de apoio à navegação na época dos Descobrimentos, comparando o seu impacto com os instrumentos de astronáutica na exploração do espaço quatro séculos mais tarde”, disse.

(Público)

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