Um grande desfile naval no Rio Hudson abriu hoje a semana de comemorações do quarto centenário da “descoberta” de Nova Iorque, nos Estados Unidos, pelo navegador britânico Henry Hudson, numa missão chefiada por holandeses.

O mesmo rio que sulcou, pela primeira vez, Hudson em 1609 a bordo do “Halve Maen”, e em cujas margens assentaram os primeiros colonos europeus, no que hoje se conhece como Manhattan, foi o protagonista do primeiro acto das celebrações do “descobrimento” da cidade, que nasceu debaixo do domínio holandês.

O desfile, em que participaram esquadras dos Estados Unidos e da Holanda, navios da NATO e embarcações típicas holandesas, foi presidido pelos príncipes herdeiros dos Países Baixos, Guilherme Alexandre e Máxima, pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, e pelo presidente do Município de Nova Iorque, Michael Bloomberg.

Estas individualidades puderam ainda ver uma réplica do barco comandado por Henry Hudson, o navegador que empreendeu há 400 anos uma missão da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para encontrar um novo caminho para a Ásia.

O resultado da expedição foi o “descobrimento” de um lugar onde os holandeses se fixaram para fundar a Nova Amesterdão, lugar esse que, anos depois, os ingleses baptizaram como Nova Iorque.

“É maravilhoso que ainda se possam ver as influências da Holanda na cidade, desde o transporte até à arte e à música, passando pela gastronomia. Esta grande cidade construiu-se sobre os valores dos pioneiros holandeses que fundaram Nova Amesterdão”, assinalou o príncipe Guilherme Alexandre, lembrando que a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais “foi a primeira grande multinacional”.

A herança holandesa em Nova Iorque, epicentro das finanças mundiais, está em muitos topónimos mas também na vida económica.

O herdeiro da coroa holandesa recordou que a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais tornou-se no primeiro prestamista dos Estados Unidos em finais do século XVIII, quando concedeu um crédito que serviu as antigas colónias britânicas para sufragar a Guerra da Independência (1775-1783).

O Dia da Independência dos Estados Unidos foi declarado a 04 de Julho de 1776, tendo a Constituição sido adoptada em 1789.

As celebrações do quarto centenário de Nova Iorque incluem ainda iniciativas especiais em museus, concertos, mostras de desenho e arquitectura holandeses e passeios comunitários em bicicletas, que poderão ser usadas gratuitamente.

Destaca-se igualmente a presença, na cidade, de um documento trazido de Amesterdão e que se considera ser a “certidão de nascimento de Nova Iorque”, uma vez que é uma carta escrita em 1626 que relata a compra da Ilha de Manhattan aos índios nativos que habitavam essas terras quando chegaram os colonos europeus.

A compra, por 24 dólares (16,5 euros), pressupôs o acto de fundação da Nova Amesterdão, uma cidade que foi conquistada em 1664 pelos britânicos, que rebaptizaram-na de Nova Iorque em honra do duque de Iorque e ligaram-na ao resto das suas conquistas na costa atlântica do Norte do continente americano.

As comemorações do IV centenário terminam segunda-feira, com o primeiro Dia do Porto da cidade, uma efeméride que se pretende assinalar anualmente para lembrar a data em que Hudson pisou as terras de Manhattan pela primeira vez.

(Diário de Notícias)