Orador e escritor jesuíta (Lisboa, 6 de Fevereiro de 1608 – Baía a 18 de Julho de 1697). Primogénito de Cristóvão Vieira Ravasco e de Maria de Azevedo, embarcou para o Brasil quando contava seis anos, depois de o seu pai ser nomeado para o cargo de escrivão na Relação da Baía. Matricularam-no no Colégio dos Jesuítas. Aos 15 anos, descobriu a vocação religiosa e deu entrada na Companhia de Jesus. Ordenado sacerdote em 1635, não tardou a dar mostras de uma percepção excepcional para os problemas sociais e de uma grande facilidade para a retórica e para a escrita. Entre os seus textos imortais destacam-se, por exemplo, o Sermão da Sexagésima e o Sermão de Santo António aos Peixes […]. Estas duas obras constituem apenas dois exemplos que sustentam a forma como Fernando Pessoa o recordou: “imperador da língua portuguesa”. Porém, a vida do pregador foi muito para além dos púlpitos. Ficou marcada, por exemplo, por uma intensa actividade diplomática. Apoiou de forma incondicional o movimento da Restauração. Durante a sua primeira estada em Portugal (1641-1652), após ter sido nomeado pregador da corte, foi incumbido de missões políticas em França, Holanda e Itália. Falecido D. João IV, o orador não tardou a cair em desgraça. Preso e perseguido pela Inquisição, apenas veio a libertar-se do Santo Ofício pela sua própria acção, em Roma (1669-1675), obtendo um salvo-conduto do próprio papa. Regressou a Lisboa, onde, quatro anos mais tarde, foi publicado o primeiro volume dos Sermões. Mas, o chamamento do Brasil era irresistível. Em 1681, reatou a actividade sacerdotal em Terras de Vera Cruz. Trabalhou arduamente e utilizou a eloquência para defender a libertação dos índios, o que lhe valeu violentas reacções por parte dos colonos. Durante três anos, exerceu funções de visitador do Brasil. Passou os últimos dias no “seu” Brasil, na Quinta do Tanque (Baía). Entre os diversos escritos que deixou, destaque ainda para Livro Anteprimeiro da História do Futuro (1718) e Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício (1957).

(via “História de Portugal – Dicionário de Personalidades” (coordenação de José Hermano Saraiva), edição QuidNovi, 2004)