Em Portugal publicavam-se, entretanto, as obras de Pero de Magalhães Gândavo, Fernão Cardim, Frei Vicente do Salvador, Gabriel Soares de Sousa e Pero Lopes de Sousa […].

As obras de Fernão Cardim, Do principio e origem dos Índios do Brasil e de seus costumes e cerimónias e Do clima e terra do Brasil e de algumas coisas notáveis que se acham assim na terra como no mar, foram publicadas, em 1625, sob o título de A Treatise of Brasil written by a Portugall which had long lived there, no Pilgrim’s de Purchas, antes de serem publicadas em Portugal. […]

 Também tiveram grande importância nesta época as cartas escritas pelos Jesuítas que partiam para a Américam tanto portugueses, como franceses ou espanhóis. Dentre os primeiros, adquiriu especial relevo a correspondência do Padre Manuel da Nóbrega e do Padre José de Anchieta, entre muitos outros de menor importância.

As primeiras cartas de Manuel da Nóbrega, de 1649, já no ano imediato se encontravam em Roma, depois do que foram enviadas para todas as casas e colégios europeus da Companhia. […]

Em 1556 encontrava-se já traduzida para francês pelo menos uma das cartas de Manuel da Nóbrega, que nesse mesmo ano foi publicada em Paris.

As coisas do Brasil tinham encontrado um meio incomparável de divulgação. As cartas jesuíticas são traduzidas em várias línguas até que a sua tradução para latim as coloca ao alcance de todo o mundo europeu.

Quanto às portuguesas, foram geralmente vertidas em primeiro lugar para espanhol e só então para latim.

De qualquer forma, o que acima de tudo nos interessa é que se tenham tornado conhecidas e que a sua expansão tenha progressivamente enriquecido o conhecimento que os europeus tinham do Brasil. […]

“O Índio do Brasil na Literatura Portuguesa dos Séculos XVI, XVII e XVIII”, de Maria da Conceição Osório Dias Gonçalves, Separata de BRASILIA, vol. XI, Coimbra, 1961, pp. 13 e 14