«Bento Teixeira, ou Bento Teixeira Pinto, nascido em meados do século XVI, em Pernambuco, tem a honra de ser, cronologicamente, o primeiro poeta brasileiro, ou filho do Brasil», diz Afrânio Peixoto na sua Introdução à Prosopopeia deste mesmo Autor.

Assim é, de facto. E, como tal, era de esperar que se ocupasse da região em que nasceu. Mas, se por um lado celebra incansavelmente a beleza da sua terra, é também incansavelmente que louva a acção portuguesa no Brasil – e o Índio apenas aparece na sua obra como pano de fundo, em oposição maciça a esta mesma acção, despertando interesse somente na medida em que por ela se vai deixando ganhar.

Sendo, como é, a Prosopopeia dirigida a Jorge de Albuquerque Coelho, capitão e Governador de Pernambuco, era inevitável que nela se elogiasse a acção civilizadora dos portugueses, mas isso de forma alguma impedia um certo interesse pelo Índio.

Pouco posteriores à Prosopopeia, e de muito maior importância para nós, são os Diálogos das Grandezas do Brasil, em número de seis. Foram pela primeira vez reunidos e publicados em volume em 1930, devido aos cuidados de Capristano de Abreu, embora a sua composição date, segundo informa o mesmo Autor, de 1618.

Não se sabe quem é o seu Autor. Tem-se procurado levantar o anonimato através do estudo do texto, mas nem sequer se chegou ainda à conclusão de ter ele nascido ou não no Brasil. Não nos interessa aqui discutir o problema; limitar-nos-emos ao estudo do texto propriamente dito.

Temos, em todos os diálogos, sempre as mesmas duas personagens: Alviano e Brandónio.

Representa um o metropolitano recém-chegado do reino e ainda muito afastado dos problemas dos indígenas e o segundo o colonizador que já se encontrava no Brasil há bastante tempo.

[…]

Quanto ao objectivo destas composições, trata-se, como o próprio nome indica, de dar a conhecer o Brasil pelo que ele tem de melhor.

Na primeira ocupam-se os dois dialogantes em descrever as várias Capitanias do Brasil, ao que se segue (segundo diálogo) uma comparação entre Negros e Índios, louvando-se simultaneamente as condições do clima e discutindo-se a origem do Índio Americano. Vem em seguida (terceiro e quarto diálogos) a enumeração das riquezas do Brasil, com especiais referências ao pau-brasil, ao algodão e aos produtos agrícolas. No quinto, faz-se a descrição dos animais, da terra e, por fim, o sexto, aquele que mais directamente nos interessa, ocupa-se dos Índios, depois de rápidas notações sobre os costumes dos Portugueses.

“O Índio do Brasil na Literatura Portuguesa dos Séculos XVI, XVII e XVIII”, de Maria da Conceição Osório Dias Gonçalves, Separata de BRASILIA, vol. XI, Coimbra, 1961, pp. 57 e 58