Sr. Presidente da República Federativa do Brasil, Sr. Primeiro-Ministro, Srs. Membros dos Governos de Portugal e do Brasil, Srs. Presidentes do Supremo Tribunal de Justiça e do Tribunal Constitucional, Srs. Vice-presidentes da Assembleia da República e Srs. Deputados, Srs. ex-Presidentes das Repúblicas de Portugal e do Brasil, Srs. ex-Primeiros-Minsistros, Srs. Representantes do Corpo Diplomático, Excelências, demais Autoridades Militares, Civis e Académicas, Minhas Senhoras e Meus Senhores: Sr. Presidente Fernando Henrique Cardoso, na pessoa de V. Exa. é o Brasil que nos visita. Imenso como é, o Brasil cabe nesta sala, porque cabe no nosso coração. O coração onde coube e continua a caber o mundo inteiro, porque é o coração de cidadãos de um país que arredondou o planeta, foi universal e para sempre ficou universalista.

A aldeia global começou connosco e ficou dentro de nós. Outros mais cheios de prosápia se deixaram enredar nos quatro cantos de uma visão paroquial do Mundo e da Vida. Nós não! Universalistas pela experimentação e pela fé; franciscanos pelo sentimento; racionalistas e copernicianos pela curiosidade; temerários pela coragem, fomos dos primeiros a furar o futuro como o bichinho sedento do poeta Gedeão.

Porquê da Europa para a China, e não da China para a Europa? Porquê nós?

Predestinação? Favor dos deuses? Simples soma de acasos? Factores vários fizeram de nós um povo único: o enamoramento do mar a aguçar-nos a curiosidade; o desafio do desconhecido a reforçar-nos a temeridade; o caldeamento das raças a robustecer-nos os genes; o encontro das civilizações a enriquecer-nos as capacidades; as lutas da emancipação e da reconquista a endurecer-nos a têmpera; o fervor religioso a fanatizar-nos a fidelidade; a saga norte-africana a acicatar-nos as ambições; o impulso de ir sempre mais além a proibir-nos a resignação; as riquezas da Índia a aguçar-nos a cobiça.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 11 a 15