É claro que o Brasil vingou-se. Perante a vil tristeza que se apossou do império da Índia e do sonho de Albuquerque, afirmou-se em toda a sua pujança e a sua glória como uma das mais portentosas pátrias do Universo. De mais pujante alegria e rutilante cor. De mais abrangente espaço e potencial riqueza.

Seria petulância pretender que fomos só nós que o fizemos. Mas debalde se nos recusará a glória de o termos começado e ajudado a fazer.

E mesmo que não seja verdade que lhe concedemos de mão beijada a independência – como alguns sem verdade pretendem – também não é mentira que não resistimos a conceder-lha até ao limite da nossa capacidade de retardá-la.

Tivemos, nesse então, impulsos de lucidez que nos faltaram em relação ao fim da nossa presença na Índia e depois em África. Portugal amava apaixonadamente o Brasil. Ainda ama. Mas Portugal e o Brasil amavam ainda mais o espírito libertador das revoluções americana, francesa e liberal. O vintismo impregnava os espíritos. E, por mais que isso doa aos detractores do papel de Portugal, foi um Príncipe Português que soltou o célebre grito do Ipyranga. Conquistaram-no patriotas brasileiros? Em grande medida é isso verdade. Mas foi ele que o gritou. E a independência do Brasil nasceu desse grito.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 11 a 15

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