A história assume-se inteira. Com as suas grandezas e as suas misérias. Mas quando se percorre o Brasil de hoje, o que é e sobretudo o que vai ser, conclui-se, com Pessoa, que tudo valeu a pena. Valeram a pena a escravatura, o trabalho forçado, as lutas no mar e na terra contra holandeses, franceses e piratas; as guerras de fronteira; as lutas entre missionários e senhores de engenho; entre liberais e absolutistas; entre brasileiros e portugueses.

Termos podido conceber esse projecto, impulsionar esse esforço e ajudado a construir esse êxito, equivaleu a escrever outros Lusíadas. Infelizmente, Caminha só pôde escrever o prólogo.

Também desta vez o feito que memoramos não foi obra de um só homem, mas de um Povo. Um povo que semeou pinheiros, construiu naus, inventou instrumentos, concebeu ambições, assumiu coragens, desvendou mistérios. E sobretudo um povo que, ressalvadas as crueldades da época, amou o seu semelhante.

É bom ter memória. É bom cultivá-la. É isso que, nos dois lados do Atlântico, estamos fazendo agora.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 11 a 15