Permita-me, Sr. Presidente, que me desvie por momentos das veredas da memória, para tentar desvendar o futuro, no que respeita à cooperação entre os dois irmãos atlânticos.

Portugal vive a exaltante experiência da integração europeia. O Brasil ensaia a experiência da até certo ponto paralela integração sul-americana. A União Europeia é já um projecto amadurecido. Ultrapassada a ambição de uma simples comunidade económica, enfrenta com coragem o desafio de uma expansiva união política. Estamos hoje convencidos de que uma não subsiste sem a outra.

O Mercosul ainda mal ultrapassou a ambição de um mercado comum. E mesmo aí, vê-se confrontado com imprevistas dificuldades, uma vez mais resultantes da febre asiática. Mas vai dando passos em frente, e isso é que é importante.

O que me apraz testemunhar-lhe, Sr. Presidente, é que tenho as experiências de integração regional como a única defesa com significado positivo contra os desafios da globalização. No Mundo moderno, que vertiginosamente se universaliza, a competição a sós vale por uma condenação à morte. Por isso, o refúgio em espaços de globalização parcial, ao nível de continentes ou regiões, são a única defesa possível, com o só defeito previsível de, porventura, o ser apenas a prazo.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 11 a 15