A utopia do Mundo Só está a caminho.

E a única maneira de retardar a sua marcha consiste em unir centros de decisão e não apenas em compartilhar espaços, deixando intocada essa estimável antiguidade que são já hoje os Estados Soberanos. E não menos em explorar as virtualidades da cooperação inter-regional, aí se situando o esforço que vem sendo feito, e deve ser levado às últimas consequências, no sentido de uma mais intensa cooperação entre a União Europeia e o Mercosul, bem como com o Grupo do Rio.

Para isso, a língua portuguesa pode ser uma chave que abre portas até agora fechadas. O investimento e o intercâmbio de experiências podem ser outras. A comum sementeira do passado pode agora frutificar em novas colheitas. E o sentimento de recíproca afectividade que nos liga, pode de novo operar milagres. Foram seus pontos altos: a recepção brasileira à Corte Portuguesa; a União entre Portugal e o Brasil; a Universidade de Coimbra como escola superior do Brasil; o grito do Ipyranga; a viagem transatlântica de Gago Coutinho e Sacadura Cabral; a viagem ao Brasil do Presidente António José de Almeida; o sistema de vasos comunicantes da nossa literatura, da nossa arte e também dos nossos emigrantes; mais recentemente esse promissor factor de presa que é a CPLP.

Peço-lhe, Sr. Presidente, que leve o nosso abraço aos queridos irmãos brasileiros.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da Assembleia da República, António Almeida Santos, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 11 a 15