Sr. Presidente da Assembléia da República, Dr. Almeida Santos, Sr. Primeiro-Ministro de Portugal, António Guterres, Srs. Membros do Corpo Diplomático, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, Srs. Membros da Minha Comitiva, Senhoras e Senhores: É com imenso prazer que me dirijo aos representantes do querido povo português. A ocasião é única e tornou-se ainda mais singular depois das palavras tão comovedoras do nosso Presidente e da sua exímia gentileza de considerar-me como se português fora e, ao passar-me a palavra, simbolicamente dizer aquilo que nós também sentimos por Portugal e pelos portugueses, que somos irmãos.

A ocasião é única, dizia. Celebramos, Portugal e Brasil, quinhentos anos da gesta de Pedro Álvares Cabral. Comemoramos cinco séculos de história comum, de uma história plena de futuro, de uma história com vocação universalista.

São muitas as razões que justificam o aplauso no Brasil e em Portugal ao V Centenário do Descobrimento, do achamento, como aqui se diz. Não me pretendo exaustivo. Prefiro concentrar-me em um motivo que sei interessar a esta Casa, comprometida como ela é com os destinos de Portugal e com a sua presença no mundo. Quero ressaltar o fato de que a aproximação entre nossos povos tem sido construída, desde 1500, sob o signo do universalismo, de interesses e valores ecuménicos.

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 19 a 23