Permitam-me prosseguir, nesta imagem da frota a navegar, com outras naus de elevados capitães, de grandes senhores.

Luís de Camões, a cantar as glórias da pátria «por mares nunca dantes navegados», Frei Luiz de Sousa, Dom Francisco Manuel de Melo, Herculano, Camilo, Garrett, citado pelo Sr. Presidente, Quental, Ramalho, Eça, Ferreira de Castro, Torga, todos esses, e muitos mais, navegadores de grande curso pelos imensos mares do nosso idioma. Mares esses, pelos quais, por baías e angras de todos os quadrantes, também navega Pessoa, como aqueles capitães de si mesmo, que são Caeiro, Reis e Campos.

E aqui desembarco desta nobre frota de capitães sem mácula, feliz de com eles navegar ainda hoje, com frequência, ao estender a mão em busca de algum dos seus escritos, de entre os meus livros.

O idioma, mais do que facilitador da comunicação entre nós, tornou-se o caminho de aproximação que, hoje, devemos ser capazes de estender aos demais povos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, nossos irmãos de Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, São Tomé e Príncipe e o recém-chegado, que merece o nosso apoio nesta hora, Timor-Leste.

Registo, aliás, com especial satisfação, que nossos Governos empenharam-se no contínuo aprimoramento desta especial parceria: há dias, foi assinado, em Porto Seguro, na minha querida Baía, como parte das comemorações do aniversário da chegada de Cabral ao Brasil, o novo Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, amplíssimo documento que consolida, fortalece e diversifica as relações entre os nossos dois povos.

[…]

“As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República”, intervenção do Presidente do Congresso Nacional da República Federativa do Brasil, António Carlos Magalhães, na sessão solene comemorativa dos 500 anos do achamento do Brasil e de boas-vindas ao Presidente do Congresso Nacional da República Federativa do Brasil, 16 de Maio de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 85 a 90

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