«E assim seguimos nosso caminho por este mar e longo, até terça-feira d’oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas, os quais eram muita quantidade d’ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d’asno..

E à quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz – carta de Pêro Vaz de Caminha.

Pouco mais de 6 meses depois do regresso a Lisboa (no final de Agosto de 1499) de Vasco da Gama, após a sua épica expedição de descoberta do caminho marítimo para a Índia, e aproveitando o período favorável à navegação, a 9 de Março de 1500, Pedro Álvares Cabral – comandando uma frota formada provavelmente por 13 embarcações (possivelmente dez naus, para além de três “navios redondos”, de porte mais reduzido – caravelas com velame quadrangular) – iniciava a segunda expedição marítima à Índia, tendo por missão principal a de instalar um entreposto português em Calecute que possibilitasse assegurar o monopólio do comércio de especiarias, ao mesmo tempo que visava impressionar o Samorim com o poderio e aparato da armada lusa.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
– “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000