A carta do achamento, da autoria de Pêro Vaz de Caminha, seria datada de «Porto Seguro, da vossa ilha da Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de Maio de 1500», dia em que, como numa procissão, erguendo os estandartes da Ordem de Cristo, mais de mil homens seguiram em fila pelas margens do rio Mutari, para fincar a grande cruz (de cerca de sete metros), celebrando-se então, pela segunda vez, missa, com os índios a assistir e a erguer as mãos, replicando os movimentos dos portugueses.

No dia seguinte, sábado, 2 de Maio, a frota zarpava em demanda do cabo da Boa Esperança, rumo à Índia.

Na carta que enviou a D. Manuel I, o mestre João Faras (cosmógrafo e físico régio) informava o monarca de que, para conhecer a localização da nova terra, bastaria consultar o mapa-múndi que se encontrava em Lisboa, na posse de Pêro Vaz da Cunha (Bisagudo), no qual a mesma estaria desenhada, ressalvando não obstante que se tratava de uma carta antiga, não indicando se a terra era ou não habitada – tal suscitaria vasta polémica a nível da sua interpretação, podendo indiciar a existência de precursores de Álvares Cabral no contacto com aquela região.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
– “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000