Não são também concordantes as opiniões dos autores dos relatos sobre o achamento no que concerne à natureza da terra descoberta: considerada como uma ilha por Pêro Vaz de Caminha (conforme datou a carta enviada ao rei); enquanto o mestre João referia que «quase entendemos por acenos que esta era ilha, e que eram quatro, e que de outra ilha vêm aqui almadia»; por fim, o autor da geralmente designada “Relação do Piloto Anónimo” não é taxativo, fazendo menção a que a terra descoberta era «grande, porém não pudemos saber se era ilha ou terra firme», inclinando-se não obstante para a segunda possibilidade, dado o seu tamanho (beneficiando do facto de, tendo prosseguido viagem para sul, ter avistado uma mais extensa parcela da faixa costeira).

Com esta viagem de Pedro Álvares Cabral, pode dizer-se que terminavam os Descobrimentos portugueses, após ter sido alcançado já – ainda no final do século XV – o principal objectivo, a rota das especiarias.

Passava então a ser determinante o controlo sobre a via recém-descoberta, a chamada «rota do Cabo», e o domínio das linhas de navegação com confluência em Calecute.

Os descobrimentos subsequentes (por exemplo, a ilha de Santa Helena ou as ilhas de Tristão da Cunha, ambas no Atlântico Sul) passaram a ser ocasionais, decorrendo essencialmente da opção por vias mais favoráveis, seguida por navegadores.

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Os Descobrimentos Portugueses”, de Luís de Albuquerque, edição das Selecções do Reader’s Digest, 1985
– “O Achamento da Terra de Vera Cruz”, de Jorge Couto, Camões – Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 8, Janeiro-Março de 2000