Sábado de manhã, no dia vinte e cinco de Abril, Pedro Álvares Cabral deu ordens de fazer vela e procurar a entrada do Porto Seguro – o nome dado por todos à belíssima baía daquela nova terra que haviam achado para a Coroa Portuguesa e onde se poderiam bem abrigar mais de duzentas naus – para aí levar os navios e, como as águas eram profundas de cinco ou seis braças , lançar âncora a pouca distância da praia.

Os capitães vieram logo ter conselho na nau capitânia e decidiram que Nicolau Coelho, Bartolomeu Dias e Pêro Vaz de Caminha iriam devolver os dois indígenas à praia, com presentes para fazer amigos. Levariam ainda o degredado Afonso Ribeiro, criado de D. João Telo, para ficar na terra a viver com eles, a fim de aprender os seus usos e língua e, também, como os moços selvagens haviam mostrado simpatia por Gonçalo procurando a sua companhia ao despertar, o Capitão-mor deu ordem ao grumete para se juntar ao grupo.

Assim, cada um dos nativos recebeu uma camisa nova, uma carapuça vermelha, um rosário de contas brancas que eles enrolaram à volta do braço como uma pulseira e alguns guizos e campainhas de latão que os encheram de contentamento e todos os portugueses se chegaram à amurada para os ver embarcar e despedirem-se deles, com grande algazarra:

– Adeus, rapazes! Voltem sempre! 

Uraçá, O Índio Branco”, Deana Barroqueiro, Editora Livros Horizonte, Dezembro de 2001, p. 48

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