Em 1481, já como rei, D. João II mandaria construir a Fortaleza de São Jorge da Mina (Elmina), na Costa do Ouro, próximo de Acra, no actual Gana (cuja construção foi concluída em 1482), que seria dirigida por Diogo de Azambuja, no que viria a converter-se no primeiro grande entreposto de escravos, ao mesmo tempo que garantia uma base naval de defesa do monopólio do comércio africano.

Esta iniciativa integrava-se num plano mais vasto, compreendendo: (i) a dinamização das viagens oceânicas de reconhecimento; (ii) a criação da Junta dos Matemáticos ou Junta dos Cosmógrafos; (iii) a disseminação de uma rede de espiões, por várias cortes europeias e na região muçulmana; a par de (iv) uma política de sigilo.

A incessante e quase obsessiva procura do “Preste João” intensificava-se então, com sucessivas expedições de reconhecimento, por terra e por mar, surgindo então fortemente associada à busca das especiarias asiáticas (destacando-se, de entre todas, a pimenta, artigo de fundamental importância nos séculos XV e XVI, imprescindível para condimentar o sabor alimentar do gado abatido e conservado em sal e que – principalmente na época do seu comércio terrestre, via mercadores de Veneza – atingia preços elevadíssimos na Europa).

Bibliografia consultada

– “A Viagem do Descobrimento – A Expedição de Cabral e o Achamento do Brasil”, de Eduardo Bueno, Editora Pergaminho, 2000
– “Descobrimentos – História e Cultura”, edição da Comissão Nacional Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1987
– “História de Portugal”, de A. H. de Oliveira Marques, Palas Editores, 1980
– “História de Portugal”, de Jean-François de Labourdette, Publicações D. Quixote, 2003
– “O Império Colonial Português (1415-1825)”, de C. R. Boxer, Edições 70, 1981
– “Portugal – O Pioneiro da Globalização”, de Jorge Nascimento Rodrigues e Tessaleno Devezas, Edição Centro-Atlântico, Maio de 2007